terça-feira, 30 de abril de 2013


           Queridos blogueiros, passei um bom tempo pesquisando sobre os tipos de respiração para o canto e tive dificuldades em encontrar o tema na internet. Por isso, estou compartilhando com vocês o que achei em alguns livros de pesquisa. Espero auxiliar a quem precisa de ajuda (como eu precisei).
            Essa pesquisa é parte do meu trabalho acadêmico, que teve como tema Técnicas vocais e Exercícios Lúdicos para adolescentes.

Helen França

RESPIRAÇÃO


            De acordo com Coelho (1994):
Devido à posição hípede e vertical, habitualmente o ser humano abandona o esquema abdominal-intercostal ou costo-diafragmático e adota o esquema toráxico-clavicular, mais desgastante e responsável por muitos males, tais como cardiopatias, problemas posturais, disfonias, ansiedade e comprometimento do autocontrole. (COELHO, 1994. p. 35).

            O aluno de técnica vocal deve estar ciente de que o ser humano, à medida que se desenvolve, perde a tendência natural de uma respiração que seria adequada para o canto. Além disso, o educador deve expor a importância da respiração adequada não só como exercício de técnica vocal, mas como algo bom a ser utilizado na vida de forma geral.
            Para esclarecer ao aluno, esse deverá saber o mínimo sobre o processo natural respiratório: na respiração há troca de gás carbônico (presente no sangue) pelo oxigênio (recebido do ambiente).
           A inspiração é um processo natural e involuntário, ocorrendo quando o corpo pede oxigênio e o cérebro dá o comando ao diafragma para se mover. Este se contrai e suga o ar para os pulmões.
Quando o diafragma retorna à sua posição de repouso (em cima), ocorre a expiração.
O maior problema enfrentado pelos cantores, especialmente os principiantes, é a má utilização da respiração. Quando ela é feita de maneira inadequada, há uma pressão excessiva ou a falta de pressão que vêm a causar emissão vocal incorreta.
A propósito, a maioria dos erros respiratórios se dá por excesso e não por falta de ar. A tranquilidade com relação à garantia de suficiência de ar é realmente fundamental para quem canta e deve ser trabalhada através de exercícios respiratórios e de constantes reflexões. (COELHO, 1994. p. 36).

Por isso, o educador terá por responsabilidade pedir ao grupo que evite exagerar no momento da inspiração. Deve haver um controle na entrada e saída de ar e os alunos devem ser conscientizados sempre dessa importância enquanto cantores. Manso (1975) também cita o tema em sua apostila “evolução da técnica vocal”: “À medida que o aluno for aprendendo, tira-se o exagero. Quando empregada em vocalizes ou pequenas peças, deverá ser calma e silenciosa”.
Neste curso serão abordadas três tipos de respiração que são indicadas para o canto: diafragmática ou abdominal; intercostal ou costo-diafragmática; mista, completa ou costo-diafragmatica-abdominal. A respiração clavicular ou toráxica é nociva para a prática do canto, pois através dela o diafragma não encontra expansão necessária, além de tencionar excessivamente o pescoço, os ombros e consequentemente a laringe.

3.2.1. Respiração diafragmática ou abdominal: É assim chamada porque a musculatura mais ativa dessa respiração é a abdominal.
Na inspiração, os músculos se distendem, o diafragma se abaixa, havendo consequentemente um aumento no abdômen, que vem para a frente. Na expiração, há o inverso. O diafragma sobe ficando em curva, os músculos abdominais se contraem, havendo em consequência uma diminuição no abdômen. (MANSO, 1975. p. 3).

Quando os músculos do abdômen se contraem na expiração, o aluno é incentivado a manter os músculos contraídos e por isso, pode ajudar a técnica de pensar na “barriga para fora”.
No início desse estudo e quando surgirem dificuldades maiores quanto ao uso desse tipo de respiração, os alunos serão incentivados a trabalhá-la deitados com um livro apoiado sob o abdômen de forma que o sintam mexer aos inspirar e expirar.

3.2.2. Respiração intercostal ou costo-diafragmática: Tem por objetivo encher a parte média e alta do pulmão. Dilatam-se as costelas na inspiração. Nessa respiração o aluno será estimulado a manter as costelas abertas enquanto expira.

3.2.3. Respiração mista ou costo-diafragmática-abdominal: Após os estudos das respirações anteriores, essa será trabalhada de forma a unir as duas respirações – diafragmática e intercostal.
Para tornar o exercício da respiração mais lúdico, o estudo será trabalhado através de técnicas de apoio em duplas, com os alunos deitados nos bancos ou mesmo caminhando pelos espaços da sala.
Coelho (1994) incentiva, em todo o momento, após a exposição de exercícios para o treino, a reflexão sobre o que foi sentido pelo aprendiz. Portanto a reflexão e conscientização serão sempre utilizadas como técnica para fixação deste conteúdo prático.

BIBLIOGRAFIA:

*    COELHO, Helena de Souza Nunes Wöhl. Técnica vocal para coros. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1994.


*   MANSO, Maria Santos. Evolução da Técnica vocal. Tese de Concurso de Assistente da Cadeira de Canto da Universidade Federal da Bahia. Bahia, 1975.

2 comentários:

  1. Legal Helen...Parabéns pela iniciativa e grata pela preocupação...
    Sucesso...
    Beijo...

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    1. Legal sua visita, Maria Elisa! Apareça mais vezes por aqui! Bjs!

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