Por Helen França
Na expiração o ar passa pelos pulmões, brônquios, traqueia e laringe. Assim, as pregas vocais (que encontram-se na laringe) vibram produzindo o som. Porém, quando há abertura nas pregas vocais, há um problema na emissão sonora.
A disfonia é vulgarmente conhecida como rouquidão. O termo refere-se à alteração na produção da voz, de forma que ela é emitida com esforço e sem muita possibilidade de variações em seus atributos.
DINVILLE (2001) afirma que houve diversas tentativas de classificação para os distúrbios vocais, mas ao final do Séc. XIX, através do estudo de Garcia, foram comprovadas rouquidões sem lesões visíveis. A partir de então, diversos estudos foram feitos.
A disfonia pode ser classificada em: disfonia funcional ou disfonia orgânica. A funcional se dá quando há alteração na voz devido ao mau uso ou esforço em excesso, ela não apresentará causa física ou estrutural. A orgânica ocorre quando a voz é alterada por consequência física: doença viral, genética ou hereditária ou condição laríngea.
Ainda há discussões e confusão para diagnosticar disfonia funcional e disfonia orgânica. Segundo DINVILLE (2001), há a possibilidade da disfonia funcional provocar uma disfonia orgânica ou o inverso, quando “lesões, inflamações dos órgãos vocais ou ainda os distúrbios da respiração determinarão disfonias funcionais”. (DINVILLE, 2001. P. 26).
No entanto, o foco da autora não está na nomenclatura. Ela diz que o fonoaudiólogo pode classificar a questão com o nome que melhor couber, contanto que trabalhe de maneira a “suprimir os esforços excessivos da mecânica vocal e respiratória, e, depois, compensar uma insuficiência de tonicidade muscular”. (DINVILLE, 2001. P. 26).
Segundo a autora, os distúrbios vocais podem começar na primeira infância. O bebê que chora muito alto pode acarretar problemas de rouquidão e afonias. Isso decorre da força na qual se submetem os músculos da laringe do lactente.
Na idade entre os seis e sete anos, a criança que se cansa muito com qualquer atividade física (mesmo que simples) poderá sujeitar-se à rouquidão ou à afonia. Há o índice de cerca de 50% (com maior incidência entre meninos) de crianças nessa idade que tornam-se disfônicas.
As disfonias também podem ocorrer
"após um esforço violento, decorrente de choros e gritos
excessivos, ataques repetidos de fúria, manobras brutas,
etc. Nestes casos o distúrbio vocal será semelhante à
hemorragia laríngea, aparecendo bruscamente e
levando a graves lesões". (DINVILLE, 2001. p. 42).
Normalmente a alerta aparece à família por terceiros: pelo professor, o enfermeiro da escola ou mesmo alguém estranho à família.
Se um membro da família é disfônico, é provável que a criança sinta a necessidade de imitá-lo e torne-se disfônica também.
Algumas doenças também podem causar distúrbios, pois elas exigem da criança um esforço exacerbado dos músculos da laringe. Tais quais a sinusite, a rinite, a faringite ou mesmo a perda de audição. Consequentemente, temos um dos motivos que pode acarretar problemas durante a muda vocal na puberdade.
Quando há esforços laríngeos fora do normal que prejudicam o desenvolvimento da muda vocal no período da pré-puberdade, temos um problema biológico. Mas também podem ocorrer problemas psicológicos, especialmente no caso dos meninos, quando se deparam com obstáculos durante a muda vocal: críticas em excesso, timidez, etc.
Nesse período de muda vocal há um crescimento não homogêneo entre os órgãos vocais e respiratórios. Por isso, até a voz cantada é difícil.
Geralmente, o indivíduo adulto se desenvolve sem alterações vocais, a não ser por razões específicas. No entanto, constantemente, as mulheres passam por diversas alterações vocais. “Todas as afecções decorrentes da via genital ou de disfunções ovarianas podem alterar a fonação de certas mulheres” (DINVILLE, 2001. p. 20). Porém, há aquelas que não passam por esse tipo de alteração.
Referências bibliográficas:
• DINVILLE, Claire. Os distúrbios da voz e sua reeducação. Trad. Denise Torreão. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2001.
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Disfonia Acesso em 14/06/2012.
• ARAÚJO, Karla Roberta Lima de. Cuidados especiais para quem utiliza a voz profissionalmente. Disponível em: http://www.fonoaudiologia.com/trabalhos/estudantes/estudante-005.htm Acesso em 14/06/2012.
• FERREIRA, Ana Celeste. Problemas vocais – As disfonias. 15 de Abril de 2007. Disponível em : http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/otolaryngology/505322-problemas-vocais- disfonias/#ixzz1xoZONFAZ.Acesso em 14/06/2012.
• OLIVEIRA, Telma Lúcia Paludeto Parizzi de. Conhecendo um pouco mais sobre fenda glótica médio posterior funcional. São Paulo: CEFAC, 1997. 14 p. Monografia de Conclusão de curso de especialização da voz.