segunda-feira, 11 de junho de 2012

HIGIENE VOCAL PARA PROFISSIONAIS DA VOZ

Helen França

Algumas dicas para que você consiga conservar bem a voz.


a)    Hidratar o organismo: As pregas vocais tornam-se mais flexíveis quando bem lubrificadas. É importante beber água com muita frequência, especialmente durante os exercícios físicos, quando há maior tendência da respiração tornar-se bucal (que causa o ressecamento do trato respiratório), ou quando se trabalha sob o ar condicionado diariamente.

b)   Gritar sem suporte respiratório: Havendo uma preparação respiratória consciente e constante, o profissional conseguirá manter o apoio ao falar e até ao gritar. Se ele respira expandindo o abdômen e as costelas, se utiliza de posição ereta, a pressão do ar será mais intensa e as pregas vocais não serão golpeadas entre si.


c)    Golpe de glote: Acontece quando as pregas vocais golpeiam-se entre si por consequência de ataques vocais bruscos. Se o golpe de glote ocorre com frequência pode indicar algum tipo de disfonia. Ele é mais perceptível em palavras que começam com vogal (início de frases). Para evitar o golpe de glote, deve-se falar de maneira suave, utilizando o suporte respiratório.

d)   Tossir ou pigarrear excessivamente: Ao contrário do que se pensa, o ato de tossir ou pigarrear excessivamente, acelera a quantidade de muco na região. Isso acontece porque o organismo tenta se proteger dos impactos. Portanto, quem utiliza disso com frequência danifica as pregas vocais. Recomenda-se, em situações de grande quantidade de muco, ingerir bastante líquido, ou inalar com vapor d’água. Exercícios de vibração de lábios e língua que auxiliam na movimentação das pregas vocais. O muco em excesso é uma alerta de cansaço por parte das pregas vocais.

e)    Falar em ambientes ruidosos ou abertos: Nesses ambientes há uma tendência natural (e até uma necessidade) de falar mais alto. No entanto, o desgaste vocal é inevitável. A única solução mediante ao problema supracitado é a mudança no ambiente físico.

f)     Tons graves ou agudos demais: Pesquisas apontam para a região média como sendo de maior conforto para falarmos, “por volta do terceiro ou quinto grau ou tom musical, acima da nota mais grave que conseguimos produzir” (VIÉGAS, 2008. p. 25). Falar grave demais vai exigir uma força e tensão maior sobre a laringe, já que os seres humanos têm pouca sensibilidade em relação a notas mais graves. Falar acima da região de conforto também provoca tensão sobre a laringe. O ideal é que o profissional que tem dúvidas sobre o uso de sua própria voz procure um fonoaudiólogo.

g)   Falar excessivamente durante quadros gripais ou crises alérgicas: Nessas situações encontra-se inchaço das mucosas do trato respiratório. Por isso, vocalizar  pode causar danos irreversíveis à mucosa das pregas vocais. Nesses casos, deve haver repouso vocal.


h) Praticar exercícios físicos falando: Falar e praticar exercício físico simultaneamente causa aumento no fechamento das pregas vocais. Isso pode sobrecarregá-las. Segundo VIÉGAS, os exercícios físicos mais compatíveis com a voz são os aeróbicos e posturais, “tais como caminhadas, corridas leves, natação, assim como técnicas de Yoga, Alexander, Feldenkreis, RPG, por exemplo” (VIÉGAS, 2008. p. 26).

i)     Fumar ou falar muito em ambientes de fumantes: Os cílios do trato respiratório são responsáveis pela remoção do muco retido nas suas paredes. O uso do cigarro destrói esses cílios, acarretando o aumento do pigarro e também dificulta a vibração das pregas vocais por consequência do ressecamento que ele causa na região.  

j)     Utilizar álcool em excessos e paliativos: A dor é uma alerta de abuso vocal para o profissional da voz. Tal qual sprays e pastilhas, o álcool mascara essa dor. Ele desidrata o organismo e retira o senso do volume de voz. Por isso é desaconselhável para profissionais da voz.

k)    Falar ou cantar abusivamente em período pré-menstrual: Há uma alteração no corpo feminino nesse período. Pode haver um pequeno inchaço em várias partes do corpo, inclusive nas pregas vocais (a voz pode tornar-se até mais grave). Por isso, a mesma recomendação dada anteriormente relacionada a quadros gripais e de alergias, serve para este tópico discutido: neste período, recomenda-se o repouso vocal, ou pelo o menos a diminuição do uso da voz.

l)  Falar demasiadamente: Para esses profissionais, falar demais é inevitável. Portanto, há orientações básicas que podem ser seguidas e evitarão posteriores alterações vocais: “cuidados com o suporte respiratório, com a projeção vocal, buscar a fonoterapia (...) e higiene vocal dentro das possibilidades de cada profissional” (VIÉGAS, 2008. p. 27). Para professores, recomenda-se que haja repouso por pelo o menos de 30 minutos a cada 3 horas de aula.

m)  Cantar inadequada ou abusivamente e fazer partes de corais sem preparo vocal: O cantor do coro deve estar pronto, com sua musculatura preparada, para a atividade vocal. Em alguns casos, aconselham-se aulas particulares para os coristas, além do preparo vocal antes da execução do repertório.

n)   Alimentação: Evitar alimentar-se próximo ao horário da atividade profissional é uma excelente decisão. O alimento pode impedir a livre movimentação do diafragma, assim, dificulta a fonação. A maçã e o salsão são recomendados porque têm função adstringente, enquanto que alimentos derivados do leite são contraindicados, pois aumentam a secreção, dificultando a articulação e vibração das pregas vocais. Alguns alimentos podem causar má digestão e refluxo e causar irritações nas pregas vocais.



VIÉGAS, Micheli Nascimento de Souza. Alterações vocais em professores de música com múltiplas funções: orientações para a sua prevenção. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008. 59 p. Dissertação – Programa de Graduação em Música do Centro de Letras e Artes da UNIRIO, Rio de Janeiro, 2008.

3 comentários:

  1. Muito esclarecedor, queridos. Espero que outras pessoas possa acessar também. Grande abraço.

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  2. Muito bom! Estava precisando dessas dicas!

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  3. Valeuuu, gente! E nós esperamos ajudá-los... Big abraço!!!

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