quarta-feira, 9 de maio de 2012

A VOZ E O CICLO DA VIDA I

DA INFÂNCIA À ADOLESCÊNCIA 

 Helen França

Os estudos relacionados ao aparelho fonador vêm comprovando a relevância da voz para a vida humana. Não somente pela expressão do homem enquanto ser que se comunica, mas especialmente porque a emissão da voz e a condição do aparelho fonador são reflexos da história de toda uma vida.
À medida que o ser humano se desenvolve, os órgãos do aparelho fonador vão se adaptando, ganhando seu espaço no corpo. Em conseqüência, as mudanças vocais tendem a aparecer de acordo com a idade biológica. Há a possibilidade de ocorrer um rompimento no processo natural quando houver um problema biológico ou psicológico mais sério.

Logo após o nascimento, o lactante possui uma voz extremamente aguda “que pode atingir 3.000 Hz. A laringe se situa bem no alto e suas dimensões exteriores são um terço das da laringe de uma mulher.” (DINVILLE, 2001,p. 15).

Aos seis ou sete anos as vozes de meninos e meninas são muito parecidas, suas laringes têm pouco desenvolvimento muscular.

Na puberdade, os meninos têm um desenvolvimento diferenciado das meninas. A voz deles baixa uma oitava
“(...) e se firma ao mesmo tempo que o adolescente adquire todas as suas potencialidades sexuais. Se o desenvolvimento sexual for particularmente precoce, a muda vocal pode acontecer muito cedo.” (DINVILLE, 2001,p. 16).

Nesta fase, a laringe cresce, se abaixa e ocupa seu lugar definitivo. Para os meninos o momento da muda vocal é bem nítido e, a depender de como o encaram, pode trazer transtornos vocais para toda a vida. Por exemplo, quando o menino tem uma ligação anormal com sua mãe, ou se vive em um ambiente desfavorável a esse momento crucial da muda vocal, ou se for muito tímido e tiver medo de ser ridicularizado em seu próprio ambiente. Sobretudo, para a maioria dos meninos a muda vocal ocorre de maneira natural e não gera problemas posteriores.
            
Já nas meninas, pouco se notam as modificações vocais. Por muitas vezes elas passam despercebidas.
“A voz baixa somente um terço, e a laringe se alonga três centímetros. O timbre muda pouco, mas o som torna-se mais redondo e mais amplo, devido ao crescimento dos órgãos fonatórios e respiratórios.” (DINVILLE, 2001,p. 16).

            Segundo Dinville (2001), “entre os quatorze e dezessete anos a voz vai se consolidar, se firmar, e tornar-se intensa”.

            Por fim, o ambiente em que vive a criança e/ou o adolescente, bem como os cuidados com a voz, influenciarão no desenvolvimento vocal natural e saudável.


Referência Bibliográfica:

DINVILLE, Claire. Os distúrbios da voz e sua reeducação. Trad. Denise Torreão. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2001.

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